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Tempo de Páscoa

Tempo de Páscoa.

Estamos na semana do Mistério por Excelência. Nesta semana comemoramos o ponto mais alto de toda Revelação Divina: o Mistério Pascal – sofrimento e glorificação, uma dupla dimensão que restaura o sentido de vida do ser humano: é a morte que traz vida, algo em princípio paradoxal, mas altamente significativo para revelar o poder de Deus cuja fonte é seu próprio amor.

O Mistério não se encontra somente na esfera religiosa-espiritual, mas também nas teorias científicas que nada mais são do que a revelação da natureza. Na verdade, este movimento de morte e ressurreição segue o curso da evolução desde o princípio e, sendo a Páscoa morte e ressureição, a ciência reconhece na natureza uma realidade pascal, pois Páscoa é tudo, uma vez que todo o universo está envolvido num movimento de morte e ressurreição.

Em primeiro lugar para que estivéssemos aqui foi necessário que um universo iniciasse em algum momento no tempo e que formasse galáxias, estrelas e planetas. Os elementos necessários à nossa existência foram fabricados pelas estrelas que nasceram em algum momento, desenvolveram-se e produziram a química da vida. Mas um dia elas morreram em uma grande explosão e espalharam isso pelo espaço, elementos que se combinaram para formar outras estrelas e planetas, num processo contínuo e imprevisível. Sistemas estelares iam se formando a partir daí, sendo que um deles é o nosso, com uma estrela denominada Sol, cheia de força de vida para dar e um planeta chamado Terra, cheio de capacidade de receber a força de vida de sua estrela. Isso tornou-se uma combinação perfeita e, após bilhões de anos de evolução, a vida começou.

Estrelas que morrem para outras nascerem e formarem vida é morte que se torna ressurreição. Isso é Páscoa. Logicamente, da boca do cientista isto não será pronunciado, mas pode ser reconhecido por aqueles que percebem a mística da ciência.

Todavia, em nossa casa chamada Terra, as coisas não foram tranquilas, uma vez que os bilhões de anos de evolução trouxeram muitas competições entre espécies distintas, seleções e sobrevivência dos mais aptos. Morte e ressurreição, mais uma vez entram no cenário evolutivo, agora dos seres que habitam o planeta, disputando um mesmo espaço e um mesmo alimento. Períodos de extinção em massa foram registrados, quando até 80% das espécies desapareceram, mas a vida não se extinguiu. Uma força sobrenatural em prol da existência continuava falando mais alto, garantindo, assim, a presença do hoje.

Por cento e cinquenta milhões de anos, os dinossauros gigantes dominaram a Terra. Eram muito fortes e poderosos, donos de todo espaço e sem concorrentes. Mas um dia, misteriosamente eles desapareceram. Seu desaparecimento, foi a condição para o desenvolvimento dos mamíferos, grupo no qual estamos incluídos. A morte dos poderosos permitiu a vida de outras espécies que não conseguiriam disputar com eles. Mais uma vez, vemos morte seguida de vida num processo evolutivo de milhões de anos.

Na história de nosso planeta estima-se que pelo menos oito períodos de extinção em massa das espécies tenham ocorrido, mas nenhum deles provocou o aniquilamento. Como deveríamos interpretar isso? Que mistérios se escondem atrás de tanta beleza? Coincidência, acaso ou sorte não seriam as melhores vias para concluir fatos tão grandiosos,  e sim a via espiritual da obra da criação, pois é aí que atingimos a completude da existência, não esgotada naquilo que se observa apenas através de cálculos e experiências, mas seguindo para caminhos muito mais profundos, o caminho do Mistério, do Absoluto, do Senhor da Vida, que não trabalha com acasos ou sorte mas com escolhas, opções, certezas, determinação.

A partir do momento que Deus me determina, eu tenho a opção de aceitar sua determinação e escolher um caminho. Isso me dá a certeza da vitória. Tenho também a opção de não aceitar e escolher outro caminho, já que sou livre. Todavia, sua aceitação é a via para a Páscoa. Sendo morte e ressurreição, na Páscoa a libertação sempre acontecerá. No deserto, os egípcios morreram para os hebreus ressuscitarem. Com Jesus, o pecado foi destruído para ressuscitarmos para uma vida nova, da qual precisamos apenas tomar posse, pois a obra divina é gratuita. A esta obra divina se encaixa toda criação com seus mistérios mais profundos dos quais Jesus Cristo é o Senhor, pois sendo de condição divina jamais usou disso para se julgar superior a ninguém, mas se igualou a todos, indo ao encontro dos humildes, mostrou com precisão o verdadeiro Amor. Por isso, hoje e sempre, para a Glória de Deus Pai, que toda língua confesse, no Céu, na Terra e em todo o Universo que Jesus Cristo é o Senhor, a Verdadeira Páscoa, a verdadeira Libertação, A Força da Ressurreição.

Leonardo Araujo Silva - Membro co-fundador.

Comunidade Raízes de Jessé – Páscoa de 2015.

 

 

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