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Temas Fundamentais de Fenomenologia


Artigo

Temas Fundamentais de Fenomenologia

Maria Fernanda Dichtchekenian

Surge a primeira publicao do Centro de Estudos Fenomenolgicos de So Paulo, a partir de um Ciclo de Palestras sobre Temas Fundamentais de Fenomenologia, realizado na Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo e aberto aos estudantes de Graduao e de Ps-Graduao de diferentes reas de conhecimento.

O objetivo primeiro foi o de ir ao encontro do anseio daqueles que, j iniciados na Fenomenologia, procuram traar um caminho prprio no confronto com os dizeres onde a Fenomenologia acontece, como horizontes que se vo vislumbrando, sobrepondo e desdobrando, numa amplido talvez assustadora se nos empenhamos pessoalmente nessa tarefa.

Porm, a presena daqueles que aceitaram responder por um tema e torn-lo prprio numa maneira de dialogar com ele, cumpre um outro objetivo, ao mesmo tempo que complementa o primeiro: a Fenomenologia no algo para ser contemplado, algo impessoal, alheio, que eu possa repetir como um aprendizado. Ela s acontece no compromisso vivo de algum que a torna presente na maneira como o dito ou o feito re-dito ou re-feito. Ou seja, o inacabamento essencial da Fenomenologia diz respeito ao apelo, presena daquele que vai encarn-la. Sem este gesto de compromisso pessoal ela no acontece, e, simultaneamente, por ele que ela se torna habitvel para outros.

Acreditamos, assim, que a presente publicao, ao reunir testemunhos vivos da Fenomenologia, viabilize ao leitor sentir mais prximo o apelo que ela faz a cada um a ceder a si mesmo na procura de um sentido para o conhecimento.

Ao mesmo tempo, os textos aqui reunidos remetem-nos aos grandes representantes da Fenomenologia: Heidegger est presente no primeiro e segundo temas apresentados:

a) Heidegger e os Pr-Socrticos (Salma Tannus Muchail) e Ontologia do Cotidiano ou Resgate do Ser: Potica Heideggeriana (Dulce Mara Critelli);

b) Husserl, o Husserl da Crise das Cincias Europias, o ponto de referncia de outros dois trabalhos: O Cogito e o Mundo da Vida (Maria Fernanda Dichtchekenian) e Fenomenologia e Dialtica(Luigino Valentini);

c) Finalmente, Fenomenologia e Existncia: Uma leitura de Merleau-Ponty (Newton Aquiles Von Zuben) marca a nfase dada ao mundo da vida por Merleau-Ponty e seu questionamento a uma fenomenologia radicada numa primeira fase do pensamento de Husserl e formalizada numa concepo de Fenomenologia como cincia estrita.

Temos ainda dois temas que tratam duas questes consideradas, de alguma maneira, polmicas:

O 1., Mtodo em Fenomenologia (Lus Ernesto R. Tpia), imediatamente nos suscita a pergunta se a Fenomenologia um mtodo e de que maneira pode ser ou no considerada como tal. O caminho proposto pelo autor propiciar-nos o exerccio da reduo para nos remeter ao mbito da significao e mostrar-nos como o desdobramento de significados ocorre no esforo de explicitao.

O 2., Como Fazer Fenomenologia (Joel Martins), abre-nos um campo difcil de determinar, enquanto, propondo-se a Fenomenologia como uma maneira de ater-se realidade, ela no define por si mesma um caminho que possa ser postulado de antemo (visto que no compromisso do caminhante com o problema que o caminho se vai forjando). Por outro lado, o como aponta um comeo que precisa ser delineado para elucidar esse fazer fenomenolgico. E por a que o autor, servindo-se de sua larga experincia como orientador daqueles que procuram assumir a Fenomenologia no seu trabalho intelectual e didtico, aponta as iluses e os descaminhos que dificultam um comprometimento radical com o pensar fenomenolgico. E abre espao para elucidar os novos conceitos que propiciam o domnio de uma nova linguagem.

Como no nos foi possvel reunir a totalidade dos temas abordados no Ciclo de Palestras, por motivos alheios ao nosso esforo e vontade, achamos importante anexar como complementao dois temas: Fenomenologia do Conhecimento Cientfico e Fenomenologia da Existncia. O 1. consiste numa reviso da Fenomenologia tendo como pano de fundo a concepo natural trazida pelo conhecimento cientfico. Quanto ao segundo tema, ele continua o 1., abrindo, porm, um novo plano para a reflexo fenomenolgica: o plano da existncia .

O interesse destes dois temas - Conhecimento Cientfico e Existncia - sugerido, em princpio, pela polaridade de oposio, assim como pela alternativa desafiadora que cada um coloca face ao outro; finalmente, porque a aproximao entre um e outro vai tornando patente um contexto de afinidade na perspectiva fenomenolgica.

Maria Fernanda Dichtchekenian Professora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP Presidente do Centro de Estudos Fenomenolgicos de So Paulo

 

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