• #
  • #
  • #

Acerca da compreensão da doutrina da Trindade.?

O rosto de Deus, tal como se voltou para nós em sua autocomunicação, o sentido que entendemos aqui, na natureza trinitária deste voltar-se é exatamente o em si ou o ser próprio de Deus mesmo, e deve sê-lo se na verdade a autocomunicação divina na graça e na glória é a comunicação de Deus em sua própria realidade para nós.

?Mas se a Trindade na história da salvação e revelação é a Trindade imanente, visto que, na autocomunicação de Deus à sua criatura pela graça e encarnação Deus se doa a si mesmo e surge realmente como em si mesmo, então, tendo em vista o aspecto histórico e econômico-salvífico presente na história da auto-revelação de Deus no Antigo e no Novo Testamento, podemos dizer que nesta história nos é dada a verdade do Deus único que, em sua absoluta singularidade advém onde nos achamos e onde o recebemos e como ele próprio em sentido estrito.

?À medida que ele veio como salvação divinizante no cerne mais íntimo de uma pessoa individual, nós o chamamos Espírito Santo. ?À medida que este mesmo Deus uno está presente para nós em Jesus Cristo na história concreta de nossa existência como ele próprio em sentido estrito, nós o chamamos de Filho. ?À medida que este Deus que como o Espírito e o Filho vem a nós, é e sempre se mantém como o inefável, o mistério santo, o fundamento e origem inabarcáveis de sua vinda no Filho e no Espírito, nos o chamamos de o Deus uno, o Pai. ?À medida que no Espírito, no Filho e no Pai se trata de que Deus mesmo se doa a si próprio e não outra realidade distinta dele, devemos dizer em sentido estrito do Espírito, do Filho e do Pai da mesma maneira que eles são o único e mesmo Deus na ilimitada plenitude da única divindade, na posse de uma só e mesma essência divina.

?Assim, à medida que essas maneiras de estar presente para nós de um só e mesmo Deus não devem suprimir a autocomunicação de Deus como o único e mesmo Deus, as três maneiras de estar presente do único e mesmo Deus, deve caber a ele próprio como o único e mesmo Deus, devem caber-lhe a ele em si e por si mesmo.

Sobre a autocomunicação de Deus.

?Autocomunicação de Deus significa que a realidade comunicada é Deus em seu próprio ser. ?As duas modalidades da autocomunicação de de Deus a)Apelo à liberdade do homem. b) Tomada de decisão, ou seja, a autocomunicação de Deus acolhida ou rejeitada por parte do homem.

?O homem é evento da absoluta e indulgente autocomunicação de Deus. ?Isso significa que Deus está presente para o homem em sua absoluta transcendentalidade, não só como o absoluto, sempre distante que o homem capta apenas de forma “assintótica”, mas também como aquele que se doa a si mesmo em sua própria realidade. ?Ao dizer que Deus está presente para nós em absoluta autocomunicação, significa dizer que esta autocomunicação de Deus está presente na forma de proximidade e não só na forma de uma presença-ausente.

?A autocomunicação de Deus significa, portanto, que Deus pode comunicar sua realidade a uma realidade não divina, sem que deixe de ser a realidade infinita e o mistério absoluto e sem que o homem deixe de ser o ente finito e distinto de Deus que é. ?Mesmo na visão imediata de Deus, permanece o mistério, o único que é evidente em si mesmo. ?Na autocomunicação de Deus, o doador é na sua própria realidade o dom, ele se doa a si próprio em seu próprio ser à criatura como sua realização plena e acabada.

?A natureza e o sentido da autocomunicação de Deus ao sujeito espiritual consiste em Deus tornar-se imediato para o sujeito enquanto espiritual, ou seja, na unidade fundamental do conhecimento e do amor. ?A autocomunicação de Deus à criatura é um ato da mais alta liberdade de Deus. ?É um ato de ele abrir-se  em sua intimidade última e em amor absoluto e livre.

?A autocomunicação de Deus é absolutamente graciosa, indevida, com referência a todo ente criado e anterior a todo fechamento eventual do sujeito finito na culpa para com Deus. ?Assim, a autocomunicação de Deus enquanto vitória sobre a rejeição pecaminosa da criatura deve ser entendida não somente como um dom de perdão, mas anteriormente a isto, como milagre indevido do livre amor de Deus que faz o próprio Deus ser o princípio interno e objeto da realização da existência humana.

?A autocomunicação de Deus à sua criatura espiritual pode chamar-se sobrenatural, indevida e gratuita. ?A autocomunicação de Deus é o que há de mais íntimo e intrínseco ao homem, como oferta de sua mais alta e obrigatória realização. ?Esta realidade, que é a mais íntima e a mais evidente por si, é Deus, o mistério, o livre amor de sua divina autocomunicação sobrenatural.

?A autocomunicação de Deus está exposta na Bíblia e no Magistério da Igreja, quando dizem que: 1.O homem justo torna-se verdadeiramente filho de Deus. 2.Que nele habita como que em seu templo o Espírito de Deus como dom propriamente divino. 3.Que ele participa da natureza divina. 4.Que ele verá face a face a Deus como ele é em si, sem nenhuma mediação ou espelho, comparação ou enigma. 5.Que já agora está de posse do que um dia será, muito embora apenas de forma escondida na graça santificante que é penhor e germe vivo do que será.

?O que podemos dizer para explicar a graça e a visão imediata de Deus é exatamente afirmar um Deus como alguém entregue a nós. ?A doutrina sobre essa graça e sua consumação significa ordem a nós dada para que permaneçamos radicalmente abertos na fé, esperança e caridade, para o futuro indizível, inimaginável e inominado de Deus, como advento absoluto, ordem a nós dada, para que não nos fechemos antes que nada mais haja para fechar, porque nada será deixado fora de Deus, pois nós estaremos inteiramente em Deus e ele estará inteiramente em nós.

O Cristianismo enquanto Igreja.

*A permanência histórica de Cristo mediante os que nele creem e explicitamente o concebem na confissão de fé como este mediador de salvação, é o que chamamos de Igreja. *Se os tempos anteriores a Cristo eram movidos pela vontade salvífica de Deus através de sua autocomunicação, com maior razão os tempos posteriores a Cristo estão marcados e são movidos pelo saber explícito da confissão de fé segundo a qual Jesus Cristo é a salvação do mundo.

*Existe uma hierarquia de verdades na doutrina Católica (Ur 11). *A base de fundamentação e sustentação do cristianismo não é constituída pela consciência eclesial, mas pela realidade de Jesus Cristo pela fé, pelo amor, pela entrega à existência de Deus, por mais obscura e incompreensível que ela seja.

*Período de pré-formação: Antigo Testamento: o judaísmo é a infância do cristianismo. *Período de inauguração: Novo Testamento: Jesus Cristo – instituição dos sacramentos. *Continuação e expansão – primeiras comunidades cristãs – Atos dos Apóstolos. * A Igreja, como comunidade dos que creem, provém de Jesus Cristo.

*A teologia de Lucas, elaborou mais claramente a ideia de que, entre a acolhida de Jesus no céu e seu retorno ocorre um tempo da Igreja. *Assim, a teologia lucana da história da salvação conhece três tempos: o tempo de Israel, o tempo de Jesus como centro do tempo, e o tempo da Igreja, que se estenderá até a manifestação plena da pessoa de Jesus.

*Mateus também trata da posição de Israel e da interpretação histórico-salvífica dessa posição. *Mateus busca iluminar a natureza e figura desse povo. *A lei de Cristo para este povo é proclamada no sermão da montanha (resumo da moral cristã).

*A Igreja é composta de judeus e gentios. *Paulo reconhece o papel histórico-salvífico de Israel. *A nova comunidade da Igreja se fundamenta no Batismo e na Eucaristia. *O corpo místico de Cristo vive do corpo que se recebe na ceia. *Existe a consciência de uma Igreja Universal.

*As comunidades particulares também são chamadas Igrejas e nelas Cristo está presente. *A Igreja é realidade celeste e cósmica. *Paulo fala da Igreja como corpo de Cristo, plantação, construção, templo, Jerusalém do alto, noiva e esposa de Cristo. *Ainda se fala da Igreja como casa bem ordenada de Deus e sustentáculo, fundamento da verdade.

*Segundo a Primeira Carta de Pedro, fundem-se várias ideias, imagens e referências veterotestamentárias, como: *Cristo como Pedra principal. *A Igreja como edifício espiritual construído no Espírito Santo. *O sacerdócio santo dos cristãos que oferece sacrifícios espirituais neste templo, um sacerdócio régio, um novo povo de Deus, composto de judeus e gentios.

*A Carta aos Hebreus retoma a ideia veterotestamentária do êxodo: “povo peregrino de Deus”. *Com isso, vincula as ideias de vocação celeste, entrada no repouso sabático de Deus, participação nos bens celestes, pelo fato de que o sumo sacerdote, Jesus, já penetrou no céu. *Existe uma compenetração entre cumprimento e promessa, uma pertença à Jerusalém celeste, à reunião festiva junto ao trono de Deus, enquanto, ao mesmo tempo, ela continua na Terra, onde deve manter-se fiel na luta e no sofrimento.

*O Evangelho e as cartas de João, diversamente das cartas paulinas, jamais mencionam expressamente a Igreja como termo “Igreja”. *Contudo, a realidade da Igreja encontra-se aí presente através dos sacramentos, da ação do Espírito, da obra de salvação, do olhar contínuo que Jesus dirige para o futuro, da missão que continua.

*Embora se desenvolvam múltiplas perspectivas de visão de Igreja no Novo Testamento, existe entre elas uma unidade profunda. *Por isso, não é possível falar de forma isolada de um conceito de Igreja de Paulo irreconciliável com a comunidade das origens. *Também não é possível afirmar que existe um abismo intransponível entre a comunidade primitiva judaico-cristã e as comunidades judaico-helenísticas e o cristianismo helenista entre Paulo e o primeiro catolicismo que aparece em Lucas e nas cartas pastorais.

*Em todas as partes nos deparamos com as mesmas convicções fundamentais, com as mesmas estruturas teológicas básicas. *Existe a única Igreja fundada por Cristo, por ele adquirida, a ele unida, que ao mesmo tempo é visível e invisível, que possui um modo de ser terrestre e um celeste, uma figura exterior e uma essência interior, misteriosa e plena do Espírito.

Resumo de texto extraído do livro de Karl Ranher: O Curso Fundamental da Fé.

Pela Escritura, a Igreja das origens permance sempre ligada a nós como realidade normativa.

Se a Igreja de todos os tempos, como comunidade do Crucificado e Ressuscitado, objetiva-se em documentos escritos, então temos um ponto de partida para compreender a natureza da Escritura.

Compreender a natureza da Escritura significa absorver de forma real o sentido categórico da inspiração bíblica e da formação do seu cânone

 

 

Pela Escritura, a Igreja das origens permanece sempre ligada a nós como realidade normativa.

Se a Igreja de todos os tempos, como comunidade do Crucificado e Ressuscitado, objetiva-se em documentos escritos, então temos um ponto de partida para compreender a natureza da Escritura.

Compreender a natureza da Escritura significa absorver de forma real o sentido categórico da inspiração bíblica e da formação do seu cânone

Pela Escritura, a Igreja das origens permanece sempre ligada a nós como realidade normativa.

Se a Igreja de todos os tempos, como comunidade do Crucificado e Ressuscitado, objetiva-se em documentos escritos, então temos um ponto de partida para compreender a natureza da Escritura.

Compreender a natureza da Escritura significa absorver de forma real o sentido categórico da inspiração bíblica e da formação do seu cânone.

Pela Escritura, a Igreja das origens permanece sempre ligada a nós como realidade normativa.

Se a Igreja de todos os tempos, como comunidade do Crucificado e Ressuscitado, objetiva-se em documentos escritos, então temos um ponto de partida para compreender a natureza da Escritura.

Compreender a natureza da Escritura significa absorver de forma real o sentido categórico da inspiração bíblica e da formação do seu cânone.

Pela Escritura, a Igreja das origens permanece sempre ligada a nós como realidade normativa.

Se a Igreja de todos os tempos, como comunidade do Crucificado e Ressuscitado, objetiva-se em documentos escritos, então temos um ponto de partida para compreender a natureza da Escritura.

Compreender a natureza da Escritura significa absorver de forma real o sentido categórico da inspiração bíblica e da formação do seu cânone

 

..........